Federação Columbófila Brasileira

Standard Internacional


Standard Internacional do Pombo-correio

(Concordância das formas, dimensões e perfeição da sequência do conjunto das estruturas anatómicas, com particular relevo para concordância da forma e da dimensão das asas com o tamanho, peso e tipo morfológico do animal, e a perfeita simetria “lado esquerdo – lado direito” destas, e com idêntico relevo para a simetria das extremidades laterais das asas e em particular das 7ª,8ª e 9ª remiges primárias, uma vez ser nestas que assenta a propulsão do ar em sentido caudal).

Tem por bases ósseas parte do eixo esquelético (coluna dorsal, costelas e esterno) e a cintura torácica (escápulas, coracoides e fúrcula).

Apresenta os músculos peitorais, os abaixadores das asas, que fornecem a energia propulsiva, de fácil observação lateralmente à crista esternal, e, mais medialmente os músculos supracoracoides, os elevadores da asa, impossíveis de observar directamente, ambos os pares com inserção na crista esternal e no úmero. Ainda os músculos intercostais, que afastando e aproximando a extremidade caudal do esterno da coluna dorso-lombar provocam a expansão e contracção dos sacos aéreos, logo a inspiração e expiração do ar. Estes movimentos (ciclos alar e respiratório) são sincrónicos no pombo

– Conformação

As extremidades dorsais dos coracoides devem formar, com a extremidade craneal do esterno, um triângulo tendencialmente equilátero nos indivíduos mediolíneos; os brevilíneos devem apresentar os ombros relativamente mais largos, uma vez ser próprio do seu tipo morfológico um acentuado desenvolvimento das dimensões de largura; os longilíneos podem apresentar uma largura de ombros ligeiramente menos acentuada, pois é-lhes própria uma maior relação “comprimento-largura”. O carácter ombros largo deve ser considerado positivamente.

– Ombros:

A firmeza dos ombros revela a robustez da cintura torácica, caracter absolutamente indispensável para a “liberdade” funcional do voador, pois permite a transmissão, com a menor perda, logo com o maior rendimento, da energia do músculo peitoral à asa, e ainda o movimento respiratório do esterno em harmonia com o da musculatura do vôo. Um défice do caracter “robustez da cintura torácica” constitui um considerável “limitador” da aptidão funcional.

– Esterno:

Deve apresentar a crista bem desenvolvida e robusta, com a forma adequada a um bom aerodinamismo do indivíduo, e comprimento adequado a uma boa capacidade respiratória. A espessura acentuada do bordo da crista esternal indicia uma forte inserção do músculo peitoral, ponderando-se, pois, este caracter, positivamente.

– Nível de desenvolvimento e proporções:

Devem exibir uma pujança, perfeição e preponderância sobre as restantes regiões, que mostrem, claramente, a vocação do animal para o vôo. Fraco desenvolvimento desta região, relativamente a outras, indica fraca prioridade biológica do animal para o vôo, e deve, portanto, ser ponderado negativamente.

A região sacro-caudal

Cuja base óssea é a coluna caudal, tem a função de leme estabilizador do vôo horizontal rectilíneo. Embora tenha que apresentar alguma mobilidade por desempenhar outras funções biológicas (levantar vôo, pousar, galar, etc) é desejável sob ponto de vista funcional do vôo, que seja tão firme quanto possível.

– Conformação:

O esqueleto, musculatura, tendões, ligamentos e cobertura plumea devem apresentar a maior rigidez compatível com as restantes funções biológicas da região. Devem apresentar uma forma que exiba um harmonioso estreitamento, em sentido caudal… Os défices de robustez desta região devem ponderar-se tendo em conta que a limitação que implicam é acentuada pelo tempo de duração do esforço, sendo pois muito graves relativamente às provas de fundo.

A PLUMAGEM E A ASA

A plumagem

Em geral tem as funções de protecção mecânica e térmica do corpo face ao ambiente externo, e, em vôo, a diminuição do atrito, tanto quanto possível. É este último aspecto que está em apreciação. Será ponderada a qualidade das tectrizes, e, nas remíges (cuja apreciação se inclui na da asa) e tectrizes, igualmente, as respectivas forma e desenvolvimento. As plúmulas e filoplumas não são objecto de avaliação particular, por ser impossível fazê-la num exame em tempo limitado.

– Tectrizes: também ditas penas de cobertura, devem apresentar a maior densidade, sedosidade e assentar perfeitamente umas sobre as outras. As barbas, bárbulas e barbicelos devem formar uma malha sem ocos e da maior consistência, e tal como o ráquis, apresentar um desenvolvimento, firmeza, e elasticidade próprios de cada pena.

– Rectrizes: a base de inserção destas é o pigóstilo, última vértebra caudal; devem apresentar desenvolvimento e forma que permitam o fácil deslizamento do ar em sentido caudal sem que se produzam turbilhões, e a integração harmoniosa no conjunto, contribuindo para a maior qualidade do equilíbrio dinâmico.

A asa

Tem por função transformar a energia química fornecida pelo músculo peitoral em energia cinética, isto é, no deslocamento do corpo do pombo em sentido craneal, por reacção ao do ar projectado em sentido caudal (princípio da igualdade de energias da acção, isto é a do ar projectada pelas 7ª,8ª e 9ª remiges primárias, e da reacção, isto é, a do corpo do animal).

– Flexibilidade: todas as articulações devem exibir uma flexibilidade perfeita nas direcções de funcionamento e inflexibilidade nas restantes. Qualquer défice da flexibilidade é um “limitante” absoluto, implicando por si só a atribuição ao indivíduo da notação mínima.

– Simetria: a simetria “asa esquerda-asa direita” é um caracter indispensável ao equilíbrio adequado ao vôo de competição. Défices na simetria são “limitantes” de grande relevo, nomeadamente ao nível da extremidade lateral, e particularmente do terço distal das 7ª, 8ª e 9ª remiges primárias. Implicam uma penalização proporcional ao prejuízo que se ajuizar ao bom equilíbrio do animal em vôo.

– Conformação: deve exibir a envergadura, a área, as relações “área-peso do animal”, “área da parte primária-área da parte secundária” mais favoráveis à maior celeridade do vôo.

– Braço: curto; musculatura muito bem desenvolvida (acciona a estensão-flexão·da asa e as indispensáveis alterações das posições relativas rádio-ulna).

– Antebraço: robusto; musculatura muito bem desenvolvida (acciona a mão, incluindo os dedos). Remíges secundárias curtas, perfeitas na conformação, alinhamento e estrutura.

Qualquer défice do antebraço deve ser ponderado como “limitante” relevante.

– Mão:

O carpo-metacarpo deve apresentar uma sequência perfeita e contribuir para a melhor relação “área primária-área secundária”. As 6 primeiras remiges primárias devem apresentar conformação alinhamento e estrutura perfeitas e contribuir para uma boa projecção da asa no sentido lateral. Só se penalizará a existência de penas suplementares se forem factor de assimetria, logo desequilíbrio.

O dedo principal apresenta duas falanges. A 1ª é um osso fortíssimo que apresenta três concavidades cilíndricas que dão lugar à inserção na sua profundidade das 7ª,8ª e 9ª remiges primárias.

Esta disposição única demonstra que são estas penas as que estão em condições de exercer a força necessária à projecção do ar em sentido caudal. Devem pois apresentar o ráquis com a elasticidade adequada, as bárbulas e os barbicelos com uma estrutura perfeita, comprimento e largura adequados, em geral estreitas, estreitamento esse que terá que ser bem evidente no terço lateral, com as extremidades arredondadas e apresentando ligeira flexão em sentido palmar. Défices da estrutura e forma das remiges primárias são “limitantes” muito relevantes, e ainda mais se prejudicarem a simetria do indivíduo em vôo. A 2ª falange dá inserção à 10ª remíge primária. Esta, não sendo propulsora, deve estar em harmonia com as anteriores, sendo fina e perfeitamente constituída.

RESTANTES PARTES DO CORPO

Serão sempre observadas. Caso não apresentem défices evidentes, não terão qualquer influência na valorização do indivíduo. Se o ou os défices observados prejudicarem algum dos caracteres globais, o indivíduo será penalizado proporcionalmente ao prejuízo que se considere que o mesmo induz.

3 – Exame sintético

Tendo presente os dados genéricos e analíticos obtidos, o observador procederá, de acordo com os seus conhecimentos e experiência, à ponderação da influência de cada um deles na capacidade funcional do corpo do animal.

– Terá em conta que o défice mais limitante que observou, é da maior importância;

– Que défices globais implicam não só limitantes do funcionamento do indivíduo, como podem potenciar a influência negativa de outros défices;

– Que o indivíduo pode ter a capacidade de minimizar ou mesmo anular a limitação que um só défice discreto de um caracter parcial poderia induzir.

4 – Notação

Completado que está o exame, o observador atribuirá as notações finais, segundo a grelha, de acordo com o diagnóstico que elaborou sobre a qualidade funcional do corpo do indivíduo.

GRELHA DE CLASSIFICAÇÃO DOS POMBOS

Posições (10) do indivíduo dentro de cada nível:

• À qualidade mínima que permite atingir o nível atribuído – a notação 0

• À qualidade média do nível atribuído – a notação 5

• À maior qualidade dentro do nível atribuído – a notação 9

• Às qualidades intermédias abaixo da média – as notações 1,2,3 e 4

• Às qualidades intermédias acima da média – as notações 6,7 e 8

5 – Critérios

O objecto da avaliação é o corpo do pombo na sua totalidade e unidade.

As notações só serão atribuídas após o exame completo do indivíduo.

A nota, segundo a grelha, expressa o diagnóstico que o observador fez da qualidade morfológica do pombo.

notação “A”, correspondente ao nível “Excelente”, implica, com carácter obrigatório, que todas as apreciações sejam “Excelente”.

notação “B”, correspondente ao nível “Muito Bom”, implica, com carácter obrigatório, que todas as apreciações globais sejam do nível “Muito Bom”ou superior; admite-se que uma, e só uma, das notações parciais possa ser do nível de qualidade próximo inferior.

notação “C”, correspondente ao nível “Bom”, implica, com carácter obrigatório, que todas as apreciações globais sejam do nível “Bom” ou superior; admite-se que uma, e só uma, das notações parciais possa ser do nível de qualidade próximo inferior.

notação “D”, correspondente ao nível “Suficiente”, implica, com carácter obrigatório, que a maioria das apreciações sejam do nível “Suficiente” ou superior; admitem-se duas notações de qualidade inferior, caso se julgue que essa inferioridade é discreta, e não limita completamente a capacidade de o indivíduo se classificar em concursos, tal como o regulamento de Sport os define.

notação “E”, correspondente ao nível “Insuficiente”. Será atribuída aos indivíduos não incluídos nos níveis precedentes.

GRELHA

Expressão

Harmonia Equilíbrio Reg. torácica e sacro-caudal Asa

Plumagem

POOMBO
Nível Nota Nota Nota Nota Nota Nota Posição
Excelente (A) A A A A A A, 0 a 9
Muito Bom (B) B B B B B B, 0 a 9
Bom (C) C C C C C C, 0 a 9
Suficiente (D) D D D D D D, 0 a 9
Insuficiente (E) E E E E E E, 0 a 9

 

Julgamento de pombos por Júri

No caso de julgamento por júri em que a atribuição do nível de qualidade não seja unânime:

a) Prevalece o nível atribuído pela maioria dos juízes.

b) Não havendo maioria, as decisões do júri são anuladas, sendo atribuído o nível e posição diagnosticados por um juiz, (1) previamente designado para o efeito.

c) Validada a nota do nível de qualidade, a posição será a da média aritmética, arredondada às unidades, das posições atribuídas, exclusivamente, pelos juízes que atribuíram o nível.

d) Sempre que for necessário proceder a desempates, serão estes efectuados por um juiz (1) previamente designado para o efeito, que mandará acrescentar um número, ou os números de ordem da classificação, sem qualquer alteração da nota do júri (Exemplo – 1º A, 3 -1; 2º A, 3 -2; 3º A, 3 -3; 4º B, 8 -1; 5º B, 8 -2; 6º B,5; 7º B,0; etc.)

Competição por Equipas

Será obrigatoriamente estabelecido o número máximo de pombos constituintes de cada equipa.

Serão classificadas as equipas que apresentarem, no mínimo, um pombo com o nível “Bom”, isto é, notação “C”, ou superior.

A classificação será ordenada pelos seguintes parâmetros:

1. A equipe que apresente o maior número de pombos de nível “Excelente”, isto é, notação “A”.

2. A equipe, que, exceptuando a 1ª, apresente o maior número de pombos de nível “Excelente”, isto é, notação “A”.

3. A equipe, que, exceptuando a 1ª e a 2ª, apresente o maior número de pombos de nível “Excelente”, isto é, notação “A”.

E assim sucessivamente.

Critérios de desempate

1. Maior número de pombos de nível “Muito Bom” “, isto é, notação “B”.

2. Maior número de pombos de nível “Bom” , isto é, notação “C”.

3. Maior soma das notações da Posição nos pombos de nível “Excelente”.

4. Maior soma das notações da Posição nos pombos de nível “Muito Bom”.

5. Maior soma das notações da Posição nos pombos de nível “Bom”.

6. Serão atribuídos os números de ordem por um juiz (1) previamente designado para o efeito.

(1) É absolutamente interdito designar como juiz de desempate alguém que:

– Tenha qualquer pombo em competição.

– Faça parte do clube, agrupamento, sub-região, região ou país, conforme o âmbito do certame, com pombo ou pombos em competição.

– Tenha integrado o júri que procedeu à classificação.

ref. 10/2006

Fonte: Chitas Martins, António e Chitas Martins, Bernardo

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