Federação Columbófila Brasileira

Curiosidades


Pesquisa Técnica

Segundo Wolters (1982), a classes das aves está dividida em varias ordens. A dos Columbiformes é composta por 8 famílias, englobando 67 gêneros e 296 espécies.

Os pombos que habitualmente convivem com o Homem pertenceu a espécie Columba livia, na qual se podem ainda distinguir as seguintes sub espécies:

a) Os pombos bravos com as seguintes subespecies: C. livia livia, C. livia lividor, C. livia affinis, C. livia butlen, C. livia canariensis, C. livia dakhlac, C. livia gaddi, C. livia gymnoculus, C. livia intermedia, c. livia neglecta livia, C. livia nigricans, C. livia palaestina, C. livia rupestris, C. chimperi e C. livia targia.

b) Os pombos de cidade ou pombo urbano: variedade ¨”Columba livia f. urbana”.

c) Os pombos domésticos, variedade “Columba livia f. doméstica”, com as seguintes sub-variedades: os pombos-correio, os pombos de lazer (pombos de beleza, pombos de voo artístico, etc.) e os pombos de carne que totalizam mais de 800 raças.

Os ornitólogos consideram o pombo da cidade como sendo fruto de cruzamentos entre pombos bravos migrados para a cidade (Columba livia livia) e pombos domésticos (Columba livia f. domestica retornados ao estado selvagem.

As populações de pombos de cidade são conhecidas por causarem frequentes incômodos de ordem sanitária, estética e higiênica nos grandes centros urbanos, além de serem de difícil controle, no que diz respeito a reprodução. Ainda assim, não lhes reconhece um papel significativo como fonte de transmissão de doenças para o Homem

O pombo domestico, propriamente dito, deve distinguir-se dos pombos bravos e pombos urbanos atrás mencionados. Sendo um dos primeiros animais domesticados, faz parte do patrimônio cultural da humanidade.

Algumas raças destes pombos domésticos tem um instinto muito desenvolvido para regressar ao seu ponto de origem tendo sido utilizados, desde tempos antigos, para transportar mensagens de natureza militar, administrativa ou comercial (as olimpíadas da antiga Atenas, as diversas guerras na antiguidade clássica, a batalha de Waterloo…).

O pombo-correio é o produto final desta seleção milenar e contínua, baseada fundamentalmente em dois critérios essenciais:

a) O instinto do regresso;

b) A velocidade de voo

A columbofilia, originaria da Bélgica, nos meados do século XIX, é a vertente desportiva desta ligação utilitária com as referidas aves.

A prática da columbofilia está submetida a regras estritamente definidas.

Assim, os pombos-correios tem obrigatoriamente de ser identificados, mediante a colocação de uma anilha oficial, numa das patas do filhote. Esta operação de identificação tem de ser efetuada até ao oitavo dia após o nascimento. A anilha contém o numero de identificação e o respectivo ano. A cada anilha corresponde um cartão de propriedade o­nde consta a identificação do pombo e seu proprietário.

Os pombais são construções específicas para abrigar pombos-correios, destinados a participar em provas desportivas, os pombais estão geralmente localizados num quintal/jardim, perto da habitação do proprietário. Refira-se que, na Bélgica, pais berço da modalidade, muitos pombais ocupam os sótãos das casas de habitação.

Os pombos-correios competem em provas com distancias compreendidas entre 100 e 1000 Km. A dureza desta competição implica necessariamente uma cuidadosa e atenta manutenção das aves.

Assim, a limpeza diária (ou mesmo duas vezes ao dia) do pombal, consta da pratica columbófila habitual (existem mesmo aspiradores especiais e potentes, propositadamente concebidos para o efeito).

Em intervalos regulares, as instalações são profundamente desinfetadas com produtos químicos adequados ou por meio de queimada com maçarico; já estão em uso sistemas automáticos sofisticados que retiram as sujidades do pombal de forma continua.

O pombo-correio é submetido a treinos rigorosos e meticulosamente palancados; só é solto com a intenção de voar, durante um período de tempo predefinido, segundo o velho adagio columbófilo: “para o pombo só ha dois lugares certos, ou está no ar voando ou está fechado no pombal“.

A vagabundagem nos telhados e/ou nos campos circundantes é contrária aos interesses do columbófilo, uma vez que suas aves aí poderiam ser contaminadas ou envenenadas. Este principio, assim como a particularidade de que o pombo geralmente só defeca quando tem as patas bem assentes no chão, implica que a maior parte dos excrementos sejam produzidos no próprio pombal.

Os pombos-correios são basicamente granívoros, fato que os distingue dos pombos da cidade, quase omnívoros.

As rações, compostas por mais de trinta cereais e sementes diferentes e selecionadas, são formuladas por nutricionistas e adaptadas a situação metabólica pontual da ave. Por exemplo, um pombo-correio na fase da reprodução ou na fase da muda recebera maiores percentagens de leguminosas ricas em proteínas, antes de uma prova será alimentado com maior quantidade de oleaginosas, ricas em gorduras energéticas e, logo após a chegada, ser-lhe-á fornecido, basicamente, cereais ricos em hidratos de carbono eletrólitos e glicose para facilitar a sua recuperação.

A “Associaton of Pingen Veterinarians” dos EUA publicou, em 1995, durante o seu Nono Simpósio Veterinário Anual, uma resolução na qual proclamava que o fato de ter, criar ou voar pombos não representa qualquer risco superior para a saúde do que a posse de qualquer outro animal doméstico.

No caso concreto do pombo-correio, é do nosso conhecimento que os enormes esforços físicos que são exigidos, obrigam os columbófilos a manter as suas colônias em condições de perfeita saúde. Este fato, muito especifico para a columbofilia, acrescido de um numero muito reduzido de doenças eventualmente transmissíveis, permitem-nos, afirmar que a columbofilia implica menos riscos para a saúde do praticante do que outra modalidade que lida com animais.

Em relação a saúde de terceiros, parece evidente que a columbofilia, quando garantidas as condições higio-sanitárias nos pombais e zonas envolventes, não provoca quaisquer prejuízos.

Atualmente a columbofilia é um desporto praticado em todos os continentes, podendo contar-se com 56 países filiados na Federação Columbófila Internacional, sediada em Bruxelas.

Em muitos destes países a columbofilia inseriu-se em departamentos militares por se lhe reconhecer ainda valor numa estratégia global de defesa.

 Fatos Curiosos

Alguns achados arqueológicos indicam a existência do pombo 6.500 anos A. C.

O faraó Ramsés III deu a conhecer ao povo a sua subida ao trono através dos pombos-correios.

No Egito anunciava-se a subida das águas do Nilo através dos pombos-correio.

No Império Persa, o correio aéreo baseado no serviço de mensagens através de pombos correio deu origem a um ramo da Administração Pública.

O Rei Salomão utilizava exclusivamente pombos correio na transmissão das suas ordens aos governadores das províncias do seu vasto Império.

As vitórias nos Jogos Olímpicos eram dadas a conhecer através dos pombos-correios.

Os romanos, no período da ocupação da Gália, faziam chegar as noticias a Roma, por meio de uma série de pombais escalonados até àquela capital.

Em 1.288, no Cairo, eram empregados 1900 pombos-correios no serviço postal regular.

O Sultão Nur-Eddin (séc. XII) criou um serviço postal por pombos-correios entre Bagdá e todas as cidades do seu Império.

Joinville, nas “Crônicas” relata o relevante papel protagonizado pelos pombos-correios durante as Cruzadas à Terra Santa.

Na Idade Média só aos senhores feudais e ao clero era autorizado a criação e detenção de pombos correio. Este “droit de colombier” apenas foi abolido com a Revolução Francesa, em 4 de Agosto de 1.789.

Em 1815, a primeira notícia recebida em Londres, a anunciar a derrota de Napoleão em Waterloo, foi transmitida por um pombo correio. Antes, porém, da chegada deste pombo mensageiro, já o Ministério da Guerra londrino recebera pelo telégrafo de Chappe, um telegrama incompleto que dizia “Wellington defeated …”, esta notícia causou o pânico na opinião pública e a bolsa entrou em queda livre. Rothschild, que utilizava regularmente os pombos correios nos seus negócios, tinha alguns deles na zona de combate: enquanto o Ministério carpia a “derrota”, o banqueiro adquiriu na Bolsa, por valores irrisórios, todos os títulos e ações ali transacionados.

Cerca do ano de 1.900, a empresa francesa Compagnie Général Transatlantique recebia noticias dos seus navios através de uma rede organizada de pombos correios (os pombos voavam distâncias superiores a 300 Km sobre o mar).

Na 1ª Guerra Mundial, mais de 30.000 pombos foram utilizados nas frentes de combate, sobressaindo o episódio do forte de Vaux e a história da heroica batalha de Verdun; A Alemanha reconhecendo o perigo, ordenou o extermínio dos pombos-correios nas regiões ocupadas.

Na 2ª Guerra Mundial assistiu-se ao êxito das mensagens aladas sempre que as comunicações via rádio eram interceptadas ou perturbadas pelos adversários.

Em 1948, o governo português concedeu o Estatuto de Utilidade Pública ao pombo correio.

Na década de 50, na Argentina, cerca de 60.000 pombos ainda serviam como meio de comunicação postal.

A Suíça desmobilizou os pombos correio já na década de 90.

A columbofilia continua em diversos países como em Espanha ou Cuba, a depender do Ministério da Defesa.

Agora que o Mundo parece encaminhar-se para uma paz duradoura e face ao aparecimento das novas tecnologias de comunicação, o pombo correio tem a sua verdadeira dimensão na área desportiva.

A Federação Columbófila Internacional – FCI (http://www.pigeonsfci.org) com Sede em Halle – Bélgica, aglutina cerca de 60 países de todos os Continentes.

Portugal ocupa um lugar de destaque nesta organização.

A columbofilia é, em Portugal, o segundo desporto mais praticado (logo a seguir ao futebol).

Cerca de 20.000 associados, 750 clubes e 14 Associações Distritais / Regionais dão corpo à estrutura columbófila nacional.

A Federação tem registados cerca de 4.500.000 pombos-correios.

Portugal é bicampeão Olímpico em columbofilia.

No triênio 1997-1999, Portugal organizou, com assinalável sucesso, três Campeonatos do Mundo, 3 Campeonatos Latino Americanos e um Campeonato da Europa.

A alimentação destes atletas é especialmente concebida tendo em conta o seu dispêndio de energia e é composta por mais de 25 diferentes tipos de sementes, suplementos energéticos e vitamínicos.

Grandes figuras do desporto português (José Torres, Bento, Chalana…) adaptaram a columbofilia como seu principal hobby.

Eminentes cientistas como o Prof. Dr. Rodrigues Branco (medicina nuclear) são columbófilos.

No Brasil, os pombos-correios foram importados primeiramente para comunicações militares.

Estima-se uma população de pouco mais de 192 mil pombos-correios nascidos no Brasil em 2018.

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